quinta-feira, 8 de abril de 2021

Regência Nominal

 Regência nominal

Você já deve ter reparado que fala ou escreve algumas vezes de acordo com a norma culta padrão. Certo?

 O verbo namorar, por exemplo. Você já ouviu algo do tipo: “Popeye namora                     com Olívia?” 

Pois é, o verbo namorar é transitivo direto, então, não usamos a preposição com.  É mais adequado dizer: “Popeye namora                Olívia”   

Falar e escrever assim não é errado. Somente está em desacordo com as normas gramaticais da Língua Portuguesa. É o uso da linguagem coloquial (a linguagem informal, popular, que utilizamos normalmente em construções informais como em uma conversa entre amigos, familiares, vizinhos)

Situações de uso

 Norma culta e coloquial na regência do verbo assistir

Embora o verbo assistir apresente diversos significados, ele é              maioritariamente usado com o sentido de ver

Segundo as regras gramaticais, o verbo assistir deverá ser conjugado com a presença da preposição a com esse sentido: assistir a

Apesar dessa regra, há uma forte tendência para a omissão da preposição na linguagem coloquial.


Exemplo: Eu assisti o jogo do Brasil, ontem. (linguagem coloquial)           

                  Eu assisti ao jogo do Brasil, ontem. (norma culta)

 Veja o texto abaixo:

Solicitou-me uma aluna de Direito da UFSC que discorresse sobre a regência do verbo visar, uma vez que ela tinha escrito “tal medida visa o bem comum” e seu professor, num excesso de zelo, corrigiu a frase para “visa ao bem comum”.

Com efeito, professores mais conservadores ensinam que “visar”, como verbo transitivo direto, tem o sentido apenas de dirigir a pontaria ou pôr o visto em:

Exemplo: Visou      o alvo, está visando a refém; visaram o cheque, visou o passaporte.

Já com o sentido de terem vista, pretender, objetivar, deve-se usar o mesmo verbo com a preposição A. Neste caso, visar torna-se transitivo indireto: O regulamento do condomínio visa à comodidade de todos e ao bem-estar coletivo. Visamos a garantir sua segurança.

 Mas existe o dinamismo do idioma a ser considerado:

 “A regência, como tudo na língua, a pronúncia, a acentuação, a significação, etc., não é imutável. Cada época tem sua regência, de acordo com o sentimento do povo, o qual varia, conforme as condições novas da vida. Não podemos seguir hoje exatamente a mesma regência que seguiam os clássicos; em muitos casos teremos mudado"  (Antenor Nascentes, 1960, apudCelso P. Luft, DicionárioPrático de Regência Verbal, 1987:534).

Esse é o caso do verbo visar, que vem perdendo a preposição, sobretudo antes de um  verbo no infinitivo, como nestes exemplos:

 ·      Sua missão visava encontrar resposta para o imponderável.

 ·        Foram implementadas medidas políticas que visavam regular sociedade,                                         produzindo sujeitos disciplinados, produtivos, hierarquizados.

  • O princípio da razoabilidade visa, ademais, impor valores. Mesmo diante de substantivo, a forma direta tem tido a preferência:

  ·      As artes visam à expressão do belo e o despontar da sensibilidade.

  ·     A divulgação deve ser impessoal, visando unicamente o interesse público.

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