quarta-feira, 10 de março de 2021

O Aspecto Crítico da Resenha

     Série de aulas do Currículo Mínimo da SEEDUC - RJ                                       

  AULA 3 - O ASPECTO CRÍTICO DA RESENHA

                   Olá! Tudo bem com vocês?

Dando continuidade ao nosso estudo sobre a arte de resumir textos, vamos iniciar essa aula com a leitura de algumas resenhas. Provavelmente, você já leu ou assistiu à obra “Extraordinário” ou, pelo menos, ouviu falar. Leia abaixo a resenha do livro e, em seguida, a resenha do filme baseado nessa mesma história. Observe o foco dado por cada autor em suas resenhas e o envolvimento emocional de cada um com a história analisada.

O livro conta a história de August, um menino de 10 anos que nasceu com uma síndrome genética e por consequência possui uma severa deformidade facial. Sem nunca ter frequentado uma escola, devido às diversas cirurgias que fez no rosto, sua mãe lhe ensinava que podia em casa, até que ela e seu pai decidem que é hora de mudar.      

   Após muita resistência, e sabendo do desafio que iria enfrentar, August começa a cursar o 5º ano do ensino fundamental na escola Beecher Prep. Lá, ele terá que enfrentar piadas e perguntas cruéis, olhares curiosos, e provar para todos que, apesar da aparência incomum, é um garoto igual a todos os outros.

   Sendo o primeiro livro lançado da escritora R.J. Palácio, Extraordinário é narrado  em primeira pessoa, e possui uma linguagem simples que reflete exatamente a idade do  personagem. Possuindo uma relação admirável com os pais, a irmã e os amigos Summer e Jack Will, August é um garoto consciente, compreensível, e com o decorrer do livro só fica cada vez mais maduro, mais apaixonado por ele.

   Extraordinário nos faz repensar nossos conceitos e é um enorme pedido por  mais gentileza e amor ao próximo.             

                                 Extraordinário - Autora: R. J. Palacio Editora: Intrínseca

    Eu não sei fazer resenha técnica sobre filme. Tão pouco sobre livros. Falo o que sinto e ponto final. Isso pode agradar, mas tenho o palpite que quando se trata de um lançamento, as pessoas esperam críticas profissionais sobre tal obra. Me sinto meio que deslocada nesse sentido, mas hoje estou me perguntando: "será que os críticos se emocionaram ao assistir a esse filme? Se sim, como deixaram suas emoções de lado para avaliarem a obra?"

      O filme Extraordinário foi baseado no livro homônimo de R. J. Palácio. Li o livro em 2013 ou 2014, não lembro ao certo. Foi uma leitura transformadora. A história fictícia foi descrita de uma maneira tão perfeita, tão real, que fiquei tocada. O livro conseguiu me tocar de alguma forma, de um modo muito positivo. Assim sendo, entrou para a lista dos favoritos, tornando- se uma leitura inesquecível. Desde o dia que li, nunca consegui me esquecer do núcleo dos personagens, dos preceitos do Senhor Browne. Terminei a leitura chorando, não de tristeza; de emoção em me deparar com um enredo tão profundo e inspirador.Domingo, ao ser convidada para assistir ao filme no cinema, minha questão era: será que conseguiram captar a essência inspiradora do livro?

      August Pullman (Jacob Tremblay) é um garoto de dez anos que, até então, nunca havia frequentado uma escola. Sua educação sempre foi por conta de sua mãe, Isabel Pullman (Julia Roberts). Isso se deve ao fato de o garoto possuir uma doença genética rara, que lhe trouxe deformidades faciais intensas.

     Agora, ele precisaria começar a estudar numa escola comum, como todos os garotos normais. Mas será que conseguiria lidar com os olhares das outras crianças? Talvez estejam se perguntando "por que me interessaria por um filme que traz as dificuldades de um garoto diferente em seu ano escolar?". Não te julgo. Na verdade, se não fosse pela capa do livro, eu jamais teria me interessado. Acontece que Extraordinário  é muito mais que isso. E não estou falando apenas do livro, me refiro ao filme também.

    O filme conseguiu captar totalmente o enredo do livro, sendo um verdadeiro presente para os leitores, e talvez um gancho para que outras pessoas leiam a história também.

     Auggie não é um garoto comum e pelo fato de ser diferente, precisou aceitar que as pessoas o olham de forma diferente. Ele consegue perceber os olhares. Ele identifica-os. E ao invés de se revoltar e se isolar, como seria comum de acontecer, ele enfrenta e tenta mostrar o seu interior. Ahhh e o interior de Auggie Pullman é a coisa mais bela que a ficção inventou.

    Toda essa construção de Auggie está completamente relacionada à sua estrutura familiar. Ele tem pais maravilhosos, porém imperfeitos; que erram; que por vezes protegem demais. Quando li o livro, os pais de Auggie foram justamente os que mais me cativaram; e estava ansiosa por saber se Julia Roberts e Owen Wilson fariam jus à minha imaginação. E a resposta? Mil vezes, sim. Estou ainda mais apaixonada por esses personagens.

    Ainda falando do núcleo adulto, o Senhor Buzanfa (Mandy Patinkin), diretor da escola de Auggie, me encantou mais no filme que no livro. Casos raros!

    As crianças não fizeram por menos. Jacob Tremblay parece ter saído daslinhas direto para as telas, junto com a doçura de Summer, interpretada por Millie Davis, bem como a crueldade em desenvolvimento de Julian, tão bem interpretado por Bryce Gheisar. Via Pullman (Izabela Vidovic), irmã de Auggie, também protagoniza cenas que emocionam. Irmãos mais velhos como um todo irão se identificar em alguns momentos.

    No livro, lembro que ficava ansiosa pelas aparições e os preceitos do Sr. Browne (Daveed Digs). Não acho que ele teve grande destaque no filme, mas isso não é um ponto negativo.

    Assim como o livro, o filme inspira e toca. O enredo mexe de uma forma surreal dentro da gente; é uma daquelas obras que faz com que você sinta vontade em ser melhor por dentro.

    Nada que você leia sobre ambos, filme e livro, vai condizer com o que realmente são. Termino minha resenha dizendo que todos deveriam conhecer a extraordinária história de Auggie Pullman. Meus olhos ficaram marejados o tempo todo, ora pela emoção da história, ora pela felicidade em ver meu livro favorito tão perfeitamente adaptado. É um filme EXTRAORDINÁRIO. Sem mais! 

Resenha Do Filme: Extraordinário - A Culpa é dos Leitores (aculpaedosleitores.com.br)   

E aí? O que acharam? Quem ainda não leu o livro ou assistiu ao filme Extraordinário, ao ler as resenhas, sentiu curiosidade de conhecer a história? Então, aguçar a curiosidade do leitor é, justamente, a finalidade desse gênero textual, conforme veremos a partir de agora. Como vimos nas aulas anteriores, a resenha caracteriza-se por ser, no geral, um resumo crítico. Nessa produção textual, o autor faz uma descrição e uma breve apreciação a respeito de acontecimentos culturais ou obras (sejam elas cinematográficas,  musicais, teatrais e literárias), a fim de divulgar um objeto de consumo cultural, de maneira resumida, convidando o leitor ou espectador a conhecer a obra na íntegra. Em geral, a resenha é veiculada por jornais e revistas. Geralmente, o texto resenha deve conter uma análise e um julgamento, seja de verdade ou de valor. Por tratar-se de um resumo crítico, este tipo de texto exige que resenhista seja alguém com conhecimentos na área, pois só assim poderá avaliar e julgar a obra criticamente. Uma resenha pode ser descrita ou crítica (opinativa):


Resenha descritiva - Neste tipo de resenha, a apreciação, ou julgamento é feito em cima das ideias do autor. Nesse caso, trata-se de um julgamento de verdade. A resenha descritiva pode ser encontrada nos resumos de livros técnicos, também denominadas resenhas técnicas ou científicas.

Resenha crítica ou opinativa - Na resenha crítica ou opinativa, o conteúdo é apresentado mais detalhadamente do que na resenha descritiva. Nesse tipo de texto, os critérios de julgamento são de valor, de beleza da forma, e do estilo do objeto cultural. O ato de explorar mais profundamente os detalhes ocorre devido à necessidade de que o autor fundamente as suas críticas, sejam elas positivas ou negativas. Além de resumir o objeto, o autor da resenha crítica faz uma avaliação sobre ele. Assim sendo, trata-se de um texto de informação e de opinião.

                      Trecho de resenha descritiva de A Vida é Bela, de Roberto Benigni

   A Vida é Bela é uma comédia trágica cuja história tem início na década de 30, na Itália. Lá, Guido, um garçom judeu divertido, se apaixona por uma jovem rica, com quem casa e tem um filho. Por ocasião da Segunda Guerra Mundial, levados para um campo de concentração, Guido tenta proteger seu filho do horror que vivenciam fazendo com que ele acredite que estão num jogo. É uma história comovente, que ajuda a entender um pouco sobre alguns aspectos da Guerra.

         Trecho de resenha crítica de Pantera Negra, de Ryan Coogle

    Pantera Negra passa-se em Wakanda, o fictício país africano isolado do resto do mundo e que é uma potência tecnológica.

 Com o super-herói negro T’Challa, não é por acaso que a trilha sonora dessa produção cinematográfica, que une ancestralidade com modernidade, tem a força dos tambores africanos. É um sucesso de bilheteria muito interessante para assistir e talvez ainda mais para discutir, que ele levanta questões sobre preconceito racial, relação entre países, e até mesmo sobre os refugiados.

 TESTE SEU CONHECIMENTO

 Os textos abaixo foram escritos por dois estudantes de escola pública a respeito dos filmes “Crepúsculo” e “Mercenários 2”. Leiam com atenção e verifiquem quais foram os principais aspectos destacados por eles em suas análises. São análises opinativas que têm relação com o gosto pessoal de cada autor.

                            I - Texto

 

                              Imagem:https://http2.mlstatic.com/pster-cartaz-crepusculo-93x63cm-D_NQ_NP_691031- MLB27236538237_042018- F.jpg)

                                                                     SAGA CREPÚSCULO: TUDO PARA SER UM SUCESSO

   A história de Crepúsculo é sobre Bella Swan, uma adolescente que nunca se deu bem com as outras garotas e, depois que a mãe se casa novamente, se muda da ensolarada Phoenix para a chuvosa cidade de Forks para viver com o pai. Lá, ela começa a viver um romance com o misterioso Edward Cullen, que faz parte de uma família de vampiros. Assim como os outros de sua espécie, Edward é extremamente forte  e rápido, e também não envelhece. Porém, sua família se diferencia dos outros vampiros por não beberem sangue humano. Apesar do que sentem um pelo outro, Bella e Edward tentam se afastar, para que ele não ceda ao desejo de beber o sangue dela. Mas as coisas começam a piorar para os dois quando um grupo de vampiros inimigos da família de Edward chegam à cidade procurando por Bella.

    Crepúsculo é o mais recente fenômeno entre a garotada. Tendo custado US$ 37 milhões, rendeu mais de US$ 145 milhões ao redor do planeta em duas semanas nos cinemas. O filme reúne elementos que atraem em cheio os espectadores mais jovens: romance e fantasia, além de toques de suspense. Um romance adolescente complicado por definição - que ganha toques de dramaticidade por conta dele ser um vampiro. Edward é mais ou menos tudo que uma garota sonha (num mundo fantasioso, evidentemente): lindo, protege Bella e ainda tem superpoderes. Deve ser por isso que ele  é capaz de arrancar suspiros não somente da protagonista, mas da plateia feminina também. 

    O conflito é transformado em tensão, sofrimento, dor e tudo isso que o amor provoca, mesmo nos seres humanos normais que não brilham como diamantes sob o sol como os vampiros. As cenas nas quais Edward mostra toda a sua força e velocidade típicas de sua espécie são impressionantes, principalmente quando ele praticamente flutua pelas paisagens geladas das florestas que circundam a cidade de Forks A fotografia gelada, numa ambientação sempre chuvosa, dá o ar sombrio que a história precisa. Mas algo incomoda em Crepúsculo: a trilha sonora. Essa já cansativa mania dos produtores de Hollywood de utilizarem a música exageradamente para sublimar sentimentos e momentos de tensão.

    O final do longa é aberto, evidentemente, pedindo uma continuação e atiçando o espectador para que volte aos cinemas em 2010. Enfim, Crepúsculo é o tipo de filme a ser recomendado aos espectadores adolescentes que embarcam em sua viagem.

(Joana Vieira Silva – ano, 17 anos, MG.)

                              II TEXTO


                                     (Imagem: https://www.google.com/search?tbm=isch&q=Mercen%C3%A1rios+2,+Os

MERCENÁRIOS 2: A VOVOZADA CONTINUA


     A fórmula do primeiro filme era simples: pegar vários astros de ação, muitos estão perto da aposentadoria, e colocá-los todos juntos na tela. Por isso, o que parece mais óbvio é fazer uma continuação aumentando a quantidade de nomes que vemos em diversos filmes de ação. Liderados por Stallone, que ganha destaque no cartaz, temos um sangue novo interpretado por Liam Hemsworth e muito sangue velho aumentando o bando, com Schwarzenegger e Bruce Willis com mais coisas para fazer do que no primeiro. O mais curioso é que a fórmula realmente funciona. Funcionou no primeiro e continua funcionando aqui. Claro que não estou falando que se trata de uma obra-prima do cinema, mas sim que o filme acaba sendo divertido e servindo seus propósitos. Aqui, eles se superam em quase todos os aspectos, e seguem a mesma linha que traçaram no filme anterior. Exceto que agora o vilão é Vilain (Jean-Claude Van Damme), cujo nome é muito similar a "vilão" em inglês. Segundo divulgaram, Stallone não quis dirigir o filme, coisa que fez no primeiro, para se dedicar mais ao roteiro do filme. O que se pode esperar, porém, não é um resultado melhor do que o primeiro. E olhe que o resultado do primeiro já não era nada de excepcional. Os diálogos não fluem necessariamente como deveriam e o humor não funciona. O filme termina com uma desnecessária luta entre Stallone e Van Damme, mas acredito que além de ser uma espécie de regra, deve ser impossível contratar o ator belga e não lhe oferecer uma cena de luta. A luta é anti- climática e talvez não de acordo com a idade dos senhores. É tolice tentar categorizar esse filme em termos de bom ou ruim, então o que resta é analisar como uma nostálgica volta aos filmes de ação, e nesse sentido, ele satisfaz. Recomenda-se o conhecimento desse filme a todos os públicos que apreciam um filme de ação com veterano de guerra, com uma dose de comédia.

                                (Pedro Arthur Cardoso, ano, 16 ano, SP)

 1.   Os dois textos lidos pertencem a qual gênero textual?

   ( ) carta       ( ) receita

 2.   Quais são as características desse gênero textual

(Você pode encontrá-las na teoria apresentada no início das aulas).

 3.   A autora do texto 1 se coloca a favor ou contra ao filme que ela está analisando?

 ( ) contra   ( ) a favor

4.   Cite um ponto positivo que ela nesse filme.

5.   Segundo o texto 1, para que tipo de público é recomendado o filme Crepúsculo?

( ) adolescentes   ( ) criança

 6.     O autor do texto 2 se coloca a favor ou contra ao filme que ele está analisando?

 7.    ( ) a favor              ( ) contra

8.   Cite um ponto negativo que ele nesse filme. 

9.  Segundo o texto 2, para que tipo de público é recomendado o filme “Mercenários2”?

10. Ao ler as resenhas sobre “Extraordinário”, percebe-se que a história nela narrada, aborda, essencialmente, um tema de bastante relevância social, que é...

a)   a importância de sermos pessoas críticas, expondo os pontos positivos e negativos em questões cotidianas.

b)   a necessidade de aproveitar bastante o período da infância, que é um período muito mágico e único em nossa vida.

c)   a questão do bullying, especialmente ocorrida no ambiente escolar.

d)   a percepção da família como um porto seguro em nossas vidas.


                                                                         Bons Estudos!!!

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